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Na boca do povo

Para marcar o bicentenário de sua morte, busto de Aleijadinho ganha luzes e mestre passa a integrar cartilhas destinadas a estudantes. Programação oficial em memória ao arquiteto termina no fim do ano
O mestre do barroco e patrono das artes no Brasil Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho (1737-1814), estará, de agora em diante, iluminado em espaço público, descrito nas páginas de cartilhas dirigidas a estudantes, presente, com suas imagens barrocas, em museus, enfim, vai cair, no melhor sentido, na boca do povo. Para lembrar os 200 anos de morte do mineiro de Ouro Preto, foi lançada, na manhã de ontem, a programação oficial que irá até o fim do ano, fruto da parceria do governo estadual, via secretarias de Cultura e de Turismo e Esportes e Assembleia Legislativa de Minas Gerais (ALMG). À noite, o busto do arquiteto, entalhador e escultor ganhou luzes especiais no jardim da sede do Legislativo, no Bairro Santo Agostinho, na Região Centro-Sul de BH. Na ocasião, foi lançada a coleção Patrimônio Arquivístico-Musical Mineiro, com textos, partituras, partes vocais e instrumentais, seleção de repertório e textos sobre os compositores dos tempos coloniais.

Segundo a secretária de Estado de Cultura, Eliane Parreiras, as atividades se dividem em duas partes: difusão da informação, com roteiros, publicações, história de Aleijadinho e seu trabalho, e eventos culturais, incluindo exposições, palestras e lançamento de livros, num trabalho conjunto com as arquidioceses, que reúnem, nas igrejas, a maior parte do acervo barroco atribuído ao mestre. "Será um período oportuno para todo mundo conhecer melhor vida e obra de Antonio Francisco Lisboa e até desfazer alguns mitos", afirmou a secretária, lembrando que o ponto alto será 18 de novembro, quando, ao lado das homenagens ao bicentenário, será comemorado o Dia do Barroco Mineiro. No mesmo período, anualmente é realizada em Ouro Preto a Semana do Aleijadinho.

Entre as atrações na capital, está uma exposição muito aguardada por defensores do patrimônio e comunidades que tiveram bens desaparecidos. Trata-se da mostra Patrimônio Recuperado -- Museu Mineiro, aberta no próximo dia 4, às 19h, no Museu Mineiro. As peças foram apreendidas em operações do Ministério Público de Minas Gerais, da Polícia Federal e de outras instituições -- depois do evento, as obras, muitas de autoria desconhecida e guardadas, por ordem judicial, na Superintendência de Museus e Artes Visuais, retornarão ao local de origem. O objetivo é apresentar os aspectos da devoção dos objetos e o próprio processo do roubo, perda e resgate do acervo.

"Esta programação é inicial, pois ainda vamos ter outras atividades", disse Eliane Parreiras, com entusiasmo, ao lado do presidente da ALMG, Dinis Pinheiro, e do secretário de Turismo e Esportes, Tiago Lacerda. Pinheiro destacou a importância do acervo mineiro para atrair visitantes, enquanto Lacerda considerou a Copa do Mundo, que começa no dia 12, como grande suporte para difundir essas riquezas das Gerais. "Durante os jogos, vão passar por Belo Horizonte cerca de 160 mil estrangeiros", disse o secretário.

CARTILHA O Dia do Barroco Mineiro e o bicentenário da morte de Aleijadinho foram criados pela Lei 20.470/2012, originária do Projeto de Lei 3.396/12, de autoria de Dinis Pinheiro. A legislação prevê que, anualmente, em 18 de novembro, sejam realizadas atividades para preservar, valorizar e divulgar o patrimônio histórico, artístico e cultural vinculado ao barroco mineiro, à obra de Aleijadinho e aos demais expoentes desse estilo.

Para envolver professores e estudantes de quinta a oitava séries em todas as atividades, o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico (Iepha-MG) está elaborando a Cartilha do Barroco, num estilo bem didático sobre o mestre Aleijadinho e seu tempo. O material será ilustrado e tem lançamento previsto no segundo semestre. Antes, no dia 7 de junho, também num evento organizado pelo Iepha, haverá, na Praça da Liberdade, na Região Centro-Sul da capital, o 1º Encontro Mineiro do Patrimônio Cultural, no qual 20 municípios vão mostrar a diversidade cultural na forma de artesanato, música, dança, literatura --tudo, claro, em reverência à memória de Aleijadinho

O certo mesmo é que o nome Aleijadinho estará na ponta da língua. Presente ao encontro de ontem, o coordenador das Promotorias de Defesa do Patrimônio Cultural e Artístico de Minas Gerais (CPPC), Marcos Paulo de Souza Miranda, afirmou que Minas já perdeu mais de 60% do seu patrimônio. "A realização de tais eventos é excelente para despertar a preservação e conscientização das comunidades." Autor do livro Aleijadinho revelado, que demandou 20 anos de pesquisas no Brasil e em Portugal e será lançado no dia 25, o promotor de Justiça contou que há muito para ser desvendado sobre Aleijadinho. E deu exemplos: "Nunca se soube exatamente quando ele nasceu, se em 1730 ou 1738. Mas encontrei um documento inédito mostrando que ele nasceu em 1737". E mais: o sobrenome Lisboa se refere à origem portuguesa da família.

MEDALHA Também ontem foi lançada uma enquete para a escolha da imagem a ser cunhada na medalha comemorativa do bicentenário de Aleijadinho. Os interessados poderão escolher entre três delas, participando da votação disponível até 6 de junho no portal da ALMG (www.almg.gov.br/aleijadinho). Além de escolher a imagem, os interessados poderão acompanhar pelo site as ações desenvolvidas pelo Legislativo, governo estadual e parceiros ao longo de 2014. As imagens do conjunto arquitetônico de Congonhas são o Profeta Daniel, o Anjo da Amargura e Cristo com a Cruz às Costas.. (Estado de Minas)
 



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